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Os desafios rumo ao Iron Biker Brasil

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Quando iniciei minha rotina de pedal, a fim de me preparar para o Iron Biker Brasil, eu também me deparei com algumas dificuldades que eu mesmo me impunha. E isso tudo por quê? Porque eu, enquanto estava acamado, sem locomoção quase nenhuma, fazendo a fisioterapia para me recuperar, pude perceber que algumas dificuldades que eu enfrentava, eram frutos de medos que eu desenvolvi ao longo da internação e tratamento. E, de certa forma, esses medos e limitações acabam por criar uma "zona de conforto" porque à medida em que ia me acostumando às pessoas resolvendo as coisas para mim, apesar do sentimento de incapacidade que me acometia, eu também sabia que tinham pessoas ali que resolviam as coisas caso precisasse. Então eu tive que reconhecer essa situação e fazer o meu melhor para acabar com ela, se eu esperava mesmo sair bem de tudo isso.  Então, ao começar a pedalar, de imediato, fomos a uma rua plana, larga, porque eu sentia que estava de fato reaprendendo a pedalar, então era...

O início da rotina de exercícios

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Após estipular que teria ao menos 15 minutos de exercícios diários e adquirir minha bicicleta ergométrica, iniciei a rotina de pedalar com bastante ânimo.  A última vez que eu havia pedalado foi em 27 de setembro de 2015, quando fiz um pedal com alguns amigos e, após isso, me acomodei e permiti que o ócio me dominasse. Porém, ao me confrontar após o diagnóstico, com a possibilidade real de morte em algumas situações, vi que deveria começar a me cuidar melhor pois o sucesso do tratamento também estava atrelado aos bons hábitos que eu desenvolvesse a partir de então. E assim eu fiz. Adquiri uns pesos pra perna e fitas elásticas para usar fora dos horários da fisioterapia e, com o apoio da minha esposa, estabeleci uma rotina diária de exercícios, que, em pouco tempo, as crianças também estavam participando. As palavras convencem, mas o exemplo arrasta.  Foi então que, em Março de 2021, precisei internar para fazer um outro protocolo do tratamento, que era o metotrexato, uma medic...

O início dos tratamentos

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Meu tratamento se iniciou já no hospital, se não me engano fiz dois ciclos de quimioterapia lá. É difícil pra mim, ter certeza de tudo porque eu estava sempre sob efeito dos remédios, inclusive a morfina, que cheguei a tomar a cada 2 horas porque as dores eram incapacitantes. Apesar da morfina promover um alívio quase que imediato, isso tinha um preço. Por conta das altas doses de morfina, eu acabava ficando 5/6 dias sem evacuar. E aí vinham com doses e mais doses de laxantes porque eu não podia ficar sem evacuar, mas também não podia ficar sem as medicações pra dor (Tramadol quase não fazia efeito no início). Após iniciar o tratamento, as dores passaram a ser mais suportáveis, possibilitando que as doses de morfina fossem administradas num espaço maior de tempo, porém, muita coisa ainda precisava ser feita. (Eu fazendo a primeira quimio ainda no hospital) Alimentação era um dos desafios lá no hospital, isso porque a comida de lá era intragável. Sério. Pensem na pior comida que vocês ...

A reestruturação

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Antes de tudo começar, eu estava cursando Direito e minha esposa fazia Serviço Social, morávamos em um apartamento com nossos dois filhos mais velhos. Então veio a gravidez do nosso terceiro filho e, após o nascimento dele, morar em apartamento já não era vantajoso. Precisávamos de espaço. Nesse meio tempo eu também passei em um concurso para trabalhar como Agente Comunitário de Saúde. Então, conseguimos finalmente achar uma casa que nos atendesse. Nos mudamos com ajuda de amigos para levar a maior parte das coisas.  Quando já estávamos morando na casa que alugamos, comecei a sentir uma leve dor no peito. Mas como havia mexido com mudança, pensamos ser muscular. Os médicos com quem eu trabalhei sempre trataram como algo muscular também. Perdi as contas de quantas vezes tomei analgésicos e relaxantes musculares. Mas nada funcionava. E assim foi durante mais de um ano. As dorzinhas estavam sempre presentes. Me deram relaxantes musculares, ansiolíticos, mas nada funcionava. Até que, n...

O primeiro susto!

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2 dias após a cirurgia, tive uma queda brusca de oxigenação. Em questão de minutos, tinha uma equipe médica a minha volta. Após uma angiotomografia com contraste, constataram um tromboembolismo pulmonar duplo e infarto no pulmão. Fui conduzido, primeiramente para a VNI (Ventilação Não Invasiva ) e após tentativas frustradas, me encaminharam direto pra CTI. ( Eu na VNI) Naquele momento, cheio de medo, por perceber ali, uma possibilidade real de morrer, conversei com minha esposa e pedi para definirmos ali, o nome de nossa filha. E escolhi Angela*.  Fui encaminhado para a CTI, recebi as doses de ataque do anticoagulante e, por não haver possibilidade de acompanhantes, minha esposa retornou para a casa onde morávamos, em Mariana (a aproximadamente 110km do hospital onde eu estava internado) e os médicos prometeram a ela que dariam o boletim médico todos os dias, se não me engano, por volta das 16h. Eu não me lembro de quase nada da CTI. Sei que tive muitas alucinações nesse período po...

A cirurgia

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(Nosso primeiro ensaio fotográfico após o início de meu tratamento contra o câncer) Vocês estão vendo essa expressão de felicidade e tranquilidade ao lado dos meus filhos? Pois saibam que foi preciso muita luta e superação para que ela fosse possível. Quando recebi o diagnóstico, senti meu mundo desabar. No entanto, ao pensar naquelas três crianças lindas e em Ângela, que estava a caminho, percebi que não poderia desistir. Era preciso fazer o que fosse necessário: quimioterapia, cirurgia e qualquer outro tratamento que surgisse. Sempre tive um medo enorme de cirurgias, e eis que a minha primeira foi justamente para descomprimir a medula e evitar que eu ficasse tetraplégico. "Vamos lá fazer isso, doutor", pensei, tentando me convencer. Chegou o dia e a hora da cirurgia. Eu, com meu colar cervical, sorrindo e brincando, mas, por dentro, morrendo de medo, fui encaminhado para a sala de cirurgia. Enquanto observava todos aqueles aparelhos que antes só via em séries co...

O início de tudo

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Quando minhas dores começaram a se intensificar, eu jamais imaginaria o que me aguardava. Idas e mais idas ao médico, pedidos de radiografia, ultrassom, e nada aparecia. Foram meses de dor e noites mal dormidas, até que veio o laudo do raio-x que eu havia feito. Ele mostrava um desvio nas vértebras e um leve desgaste. Então, orientados por algumas amigas fisioterapeutas, fomos direto ao fisio, que viu que eu aparentava estar pior do que o aparente desgaste nas vértebras e me encaminhou para um neurocirurgião. Passou-se mais uma semana, as dores continuavam insuportáveis, e finalmente conseguimos ir ao neuro. Ele em dois dias me fez passar por uma tomografia, uma ressonância e por fim, nos deu o diagnóstico. Quando ouvi a palavra "tumores", e ainda soube que um deles estava me deixando tetraplégico, meu mundo desabou ali. Por que estava acontecendo comigo? Qual tipo de tumor era aquele? Não quero morrer agora! E novamente: POR QUÊ?? Diante de todas perguntas, choros e soluç...